quinta-feira, 19 de março de 2015

Da fonte de inspiração do nome, da digina, do querido e muito desejado filho - Selito SD.


Um soneto para o meu querido filho
E o fruto do Bello Pomar-Jardim,
o espera, um tanto ansiosa, a claque,
e já o pensa na vida um craque,
pois que é de entes cordiais enfim…

E o repicar do velho tamborim,
virou no toque do Rum (forte baque),
e vigoroso e intrabusto atabaque,
faz estrondar-se em batidas sem fim.

Seja bem vindo e muito bem vindo,
você que já é no mundo o mais lindo;
que já é Força Vital que conduz…

a esse bamba - esse negro drama -,
e a mais nobre, meiga e bela dama
Filho... Nzazi Djrdjrjan de Jesus


Nzazi é como, após um bom tempo pensando em possíveis combinações de um nome composto - idéia, por fim, abolida -, minha bela Tati Bello e eu resolvemos nominar nosso querido filho.
Tinha comigo há muito que, fosse menino ou fosse menina (ao que também abraçou-se a minha amada cúmplice), o bebê teria um nome de origem Africana. Mais especificamente, bantu, um nome originário da região Congo/Angola, de onde muitíssimo provavelmete vieram, senão os pais, decerto os avós de meus avós, maternos e paternos. Pressagio que, talvez, tenham vindo de lá, de um ponto qualquer da bacia do grande Rio Kwanza. A jusante, no vale do Rio Culala, seu maior afluente, ou bem a montante, mais para o interior, junto à sua cabeceira, no vale do Rio Cuíva, enfim...
Assim sendo, a fim de dotar de um pouco de informação a respeito da escolha, tanto os familiares quanto os amigos, é que foi produzido esse breve escrevinhado, um ajuntamento composto de breves textos, excertos, imagens, tudo ajustado um tanto toscamente, mas que cumpre bem, penso, seu objetivo. Bora lá.

Nzazi
Tat'etu Nzazi é o raio sagrado. Nzazi é variante da palavra Nzaji, que significa raio. Motivo pelo qual essa Divindade da Mitologia Bantu é associada ao raio, ao fogo, intimamente ligada aos trovões, e mesmo às pedras segmentadas pelos choques causados pelas descargas elétricas naturais, ao tocarem o solo.
Nzazi, segundo a mitologia, possui natureza arrojada e costuma cavalgar pelos céus com seus 12 cães (raios), executando a justiça. Consta ainda que, quando em uma aldeia uma casa é atingida por um raio, a família é banida da comunidade, por se acreditar que tal fato ocorreu como punição, por conta de faltas graves cometidas. Essa Hamba (Divindade) muitíssimo severa, que atua com ênfase no mundo psíquico, pode punir até com a morte.
Nzazi é muitas vezes confundido, erroneamente, com o Orixá Xangô (Orisá Sángò), dos Nagôs. Suas cores são: branco, laranja, vermelho e marrom. Sua comida: dibangulango (quiabo refogado no dendê). Sua saudação é: A Ku Menekene Usoba Nzazi (Salve o Rei dos Raios). E a resposta: Nzazi Ê!
Cantiga:
O Nzazi e! 
O Nzazi a!
O Nzazi e!
Ma N’angule, Ma N’Angola

Nzazi é a luz divina
Nzazi é a luz que nos alumia

No candomblé Bantu, Nzazi e Loango são o próprio raio. Representam a união entre os dois mundos: o Ixi (a Terra) e o Duilo (o Céu). Sua ferramenta representa bem isso com duas cabaças unidas por um pedaço de bambu. É a própria representação do raio que num piscar de olhos cruza o céu e cai na terra transformando a matéria. Nzazi é o movimento a energia Nkisi de opinião forte e objetiva
Quanto à origem étnica, Nzazi é nome kimbundo. O kimbundu, quimbundo, dongo, kindongo, loanda, mbundu, loande, luanda, lunda, mbundu, n'bundo, nbundu, ndongo ou mbundu do norte é uma língua africana falada no noroeste de Angola, incluindo a Província de Luanda. É uma das línguas bantas mais faladas em Angola, onde é uma das línguas nacionais. O português tem muitos empréstimos lexicais desta língua obtidos durante a colonização portuguesa do território angolano e através dos escravos angolanos levados para o Brasil. É falada por cerca de 3 000 000 de pessoas em Angola como primeira ou segunda língua, considerando, também, 41 000 falantes do dialecto ngola.
Em termos de importância numérica, o segundo grupo são os Ambundu que representam cerca da quarta parte da população. A sua língua, o kimbundu, é falada por cerca de três milhões de falantes, maioritariamente na zona centro-norte, no eixo Luanda-Malanje e no Kwanza-Sul. O kimbundu é uma língua com grande relevância, por ser a língua tradicional da capital, hoje provavelmente com mais de 5 milhões de habitantes. O kimbundu legou muitas palavras à língua portuguesa e importou desta, também, muitos vocábulos.

Lenda de Nzazi – por Tata Obalumbi
Nzazi era muito voluntarioso e mantinha a ordem no seu reino pela violência. O povo não gostava disso. Com as visitas de Lembá, e os conselhos que ele dava, Nzazi ficou menos violento. O reino prosperou muito.
Nzazi tinha em seu reino muitos cavalos e carneiros, que eram a sua predileção. Um dia ele saiu com seus homens para conquistar novas terras, e na sua ausência os carneiros foram roubados, e os que restaram foram mortos. Sabendo do ocorrido Nzazi voltou correndo, mas só escapou um casal de carneiros. Ele os levou para o reino de Lemba, no céu (duilo),e pediu-lhe que cuidasse deles, e partiu atrás dos ladrões.
Nzazi passou muito tempo procurando os ladrões, e chegou ao alto de uma montanha que cuspia fogo, onde encontrou Uiangongo, aquele que tinha o poder do fogo. Este lhe deu um pó mágico para combater os ladrões, quando os encontrasse.
Passado algum tempo Nzazi achou os ladrões de seus carneiros, e lançou sobre eles o pó mágico. Este se transformava em lava incandescente, e acabou com todos os bandidos.
Acontece que enquanto Nzazi procurava os ladrões, às vezes ele ouvia um ruído vindo do céu, “kabrum, kabrum”… A cada dia o ruído era maior e mais frequente. Após acabar com os ladrões Nzazi foi ao reino de Lemba para pegar seus dois carneiros de volta.
Chegando lá, Lemba explicou que devido à demora de Nzazi os carneiros haviam procriado e se multiplicado, e que o barulho dos chifres deles lutando uns com os outros se ouvia em toda parte, “kabrum, kabrum”. Nzazi levou os carneiros de volta, mas Lemba explicou que eles não mais poderiam ser comidos, pois haviam sido criados no céu. Nzazi concordou, e deu a Lemba um casal de carneiros como presente. Por isso até hoje escutamos ruídos vindos do céu, “kabrum, kabrum”. 
De volta ao seu reino Nzazi explicou ao povo que aquele animal agora era sagrado e não poderia mais ser comido. Contou suas aventuras em busca dos ladrões, mas como muitas pessoas se interessaram pelo pó mágico ele, com medo de ser roubado, resolveu guardá-lo em lugar seguro, e engoliu o pó.
A partir desse dia começou a soltar fogo pela boca, e queimou todo o reino com pedras incandescentes. Teve que se isolar, pois se ficasse zangado começava a cuspir fogo. Só aparecia quando o povo estava em perigo e o chamava. Ele então arrasava os exércitos inimigos com suas pedras incandescentes.
Saudação: “Nzazi Kiua! Nkuetu hámba luango, muene kitula tubiaxó, tubiaxó, tubiaxó!” 
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Fontes: 

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