terça-feira, 26 de agosto de 2014

Té cavaquinho é tambor!



Paletada do cavaco

é toque. Samba rasgado,

de caboclo ou cabula…

Ou congo – congo de ouro.



Marcação também, destaco.

Todo samba é batucado.

Se preciso, olhe a bula

para instrução de calouro:



“Todo batuque é mandinga.

 Té samba gospel é macumba.

 Não adianta careta!



 Tem a síncopa, tem ginga.

 E a curimba retumba

 no percutir da paleta.”



Também em: Zagaia Em Revista

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Novos porcos**


Na mais descarada e tirana ironia

Se vangloria o jornal*: “Matamos poucos!”

E os suínos velhos replicam novos porcos

Que geram novas mortes destes novos dias


E não sumiram marcas fundas, cicatrizes

E ouvirás toda a verdade e ela dói

Pois todo mundo aqui é órfão de um herói

Feito ausente por cães vis, cruéis juízes


Muitas perguntas nos escapam da garganta

Quem torturou? E quem pagou? Quem assistiu?

Quem fez da nossa Pátria Mãe, madrasta vil?


Porque protegem tanta gente sacripanta

Que torturou e que matou e que feriu

Onde é que estão os traidores do Brasil?


[**] Samba que integra o repertório do Cordão da Mentira e que embalou seu primeiro desfile, uma parceria com o meu mano Thiago B. Mendonça.
[*] A Falha de Sampa

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Batalha final d’um bravo brigante



Nos metros a frente a fria coluna

Por entre os escudos eu vejo uma fresta

 E sigo em frente, pois pouco me resta

Sou só uma peça na grande comuna

Reúna seus homens, reúna, reúna...



Novos dias me acenam do lado de lá

Pouco me resta, ja não tenho sono

Já não tenho medo, já não tenho dono

Só tenho a vontade de continuar

Com sangue no rosto e brilho no olhar



Comuna e coluna postadas bem perto

Lá da barricada já fiz o que pude

Com tripa de mico, bolinha de gude

Por entre os escudos achei descoberto

Grosso supercilio que deixei aberto



Montado em exemplo de gente da gente

Não mais me abala a mais cruel cena

Nem mais uma bala fará com qu’eu tema

Seja de borracha, seja chumbo quente…

Por entre os escudos eu miro um temente



Vou partir pra riba, no saci virado

Vou partir na fé de meu santo e meu povo

Se eu cair… Levanto e me atraco de novo

Vou pela quebrada, vou quilombolado

Por entre os escudos… Zumbi do meu lado

Se eu cair… Levanto e me atraco de novo




Esse poema musicado (cuja sonoridade aqui exposta foi captada por Samuel Gambini) integra o repertório do Cordão da Mentira e embalou o desfile deste 2014, resulta do tecer frases gramaticais e melódicas com os parças e comparsas Serginho Poeta e Everaldo Efe Silva. Ô sorte!

O time? Bel Borges, Chico Crozera, Fábio Goulart, Ninão, Renato Fontes, Willian Lopes e Selito SD.

Tempo*

Hoje 

Choro a vaidade ferida 


Os dias passaram e eu fiquei 


Preso no tempo 


E o vento 


Que leva a mocidade 


Traz só maldade 


Os cheiros de outro momento 


Não consola saber 


Que tudo um dia se desfaz 


Hoje sou eu, amanhã será você 


Tudo passa do grão ao pó 


Só queria que não fosse assim tão fugaz 


Só queria que possível fosse ter mais… 


Tempo. 


E eu nele liberto… 



[*] Esse samba (cuja sonoridade aqui exposta foi captada por Samuel Gambini) integra a trilha sonora de Piove, Il Film di Pio, curta-metragem, e de Jovens Infelizes ou Um Homem Que Grita Não É Um Ursao Que Dança, longa metragem, ambos de Thiago B. Mendonça, parça e comparsa nesse musicado poema.


O time? Alex Rocha, Caio Prado, Carlão, Fábio Goulart, Felipe Massaranduba, Maurício Pazz, Maurinho de Jesus, Ninão, Renato Fontes e Selito SD.

Veja também em: http://zagaiaemrevista.com.br/em-breve-no-ar/#sthash.gZJBJfe9.dpuf

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Sangria desatada


Passa a noite e vem o dia

Passa o dia e vem a noite

Segue a saga de agonia

Segue a sina do açoite



Passa o dia e a noite passa

Passa noite e o dia corre

Segue o martírio; a desgraça

Sangue do negro inda escorre



Sangue da gente do samba

Boi, candomblé e congado

Não há conversão que estanque



Sangue da gente que é bamba

Coco, embolada e xaxado

Maracatu, jogo ou funk


terça-feira, 19 de agosto de 2014

Da lua, do dia… Da noite!

Claro que a lua é bela!

Mas só o é por causa da noite.
Esta é que propicia
a glamorosa beleza  da bola branca.
Escura noite – negra luz que chamam treva.

Claro que a lua é bela!
Mas faz sumir-se ante o dia
mais que branco, transparente,
e que não quer, um, concorrente
a tolher-lhe a luminosa importância.

Claro que a lua é bela!
E sua beleza, rouba-lhe o dia.
E sua beleza, exalta-lhe a noite.
E eu que gosto do dia; que gosto da lua
confesso-me da noite um ferrenho amante – um apaixonado!

Originalmente publicizado em: http://zagaiaemrevista.com.br/da-lua-do-dia-da-noite/#sthash.VS3SKJOQ.dpuf

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Claros e escuros ternos


Vistamos ternos claros, os homens escuros.

Sigamos, pois, na luta rumo a liberdade;

na busca de um sentido pra humanidade.

Quiçá, nos encontremos, num porto, seguros!



Pois, eles, homens claros de ternos escuros

que mandam e desmandam na sociedade;

obrigam-nos reféns de suas vis vontades;

só fazem é meter-nos em grandes apuros!



Então, façamos deste pedaço d'América,

lugar onde o convívio não lembre o inferno;

mudemos de vez essa estrutura tétrica!



Tornemos nosso mundo mais justo e fraterno,

uma comunidade que não seja histérica;

que abrigue aos de claros e d'escuros ternos!