quarta-feira, 19 de março de 2014

Do corpo, da dança...*

A dança o corpo alcança

O corpo alcança a dança

Importa é a festança...


(*) Inspirado em poema de Farnanda Thomaz

Do corpo desprezado, mas querido


[A Claudia da Silva Ferreira, em memória, 
e aos muitos Amarildos e Claudias outras]



Um corpo pelo forte sol molhado

Um corpo sufocado pela chuva 

Um corpo preso ao trabalho forçado 

Um corpo que a n(eg)ação abusa

Um corpo inda hoje agrilhoado



Um corpo inda sem arbítrio livre

Um corpo contra o qual inda se atenta

Um corpo que, teimoso, inda vive

Um corpo que aos algozes inda tenta

Um corpo que inda querem que se crive



Um corpo que aguenta, forte, o tranco 

O negro corpo que é corpo do negro

Que é corpo negro e o quer pra si o branco

Corpo do branco, mas que não é grego…

P'ra infligir-lhe o flagelo franco

quinta-feira, 13 de março de 2014

Ode, ária à conturbação... À revolta!

Dá é revolta essa saga que não muda;

essa polícia - e seus capitães do mato


para os quais negro existir é desacato;


a gente, muita, que ante tal mal põe-se muda



“Dá raiva ser exótico na minha terra,


ouvir grileiro me chamar de invasor


enquanto me devasta a casa com trator!”


Grita o índio sempre pintado de guerra



Dá é revolta essa tão nefasta sina


que marca fundo os não brancos desse chão;


que não conseguem se livrar da maldição


da morte vil que 
teima, insiste ser chacina



Dá é revolta essa jura que não se solta


da minha gente e a faz querer... o troco, a volta!