sexta-feira, 19 de abril de 2013

O funk é jongo. Se é que me faço entender.*

ATENTEM QUE FUNK, RAP E SAMBA GRITAM DO MESMO LUGAR. 

 “A força da alienação vem dessa fragilidade dos indivíduos que apenas conseguem identificar o que os separa e não o que os une.” (Milton Santos)

Antes de mais nada. atentem que funk, rap e samba gritam de um mesmo lugar. E há que se entender o que está em discussão para além das profundezas da superficialidade, né não? Isso posto, Bora lá... 

Eu cresci na quebrada, sambista e oprimido. Brigão. O samba, historicamente, passa a ser aceito e o é cada vez mais, mas... Quanto menos o sambista participa, mais o samba, cada vez menos samba, apropriado em seu mais superficial aspecto, é aceito. Expropriação. Tal reflexão vale para outras expressões do mosaico cultural afro-brasileiro, como, p. e., o maracatu. 

A coisa possui um tal grau de complexidade que a gente do samba parece não se dar conta do quão permanece discriminada e etc. e tal. Ou está acometida de uma esquizofrenia que a faz se querer numa pertença outra que não a dos funkeiros. Pode ser. 

Obviamente que, e se tratando de um mercado massificador, a indústria cultural cuida de replicar o que lhe é mais rentável e de apelo mais forte - mais rapidamente consumível pela massa. Enfatizo que isso é óbvio. 

Agora, daí a entender que o funk é isso e ponto, sem nuances, é, para mim, algo afeito a quem não se permite uma análise mais profunda; que pauta suas conclusões pelo superficial, o imediato aparente. No vai da valsa fica fácil.

Tem muito mais coisa em jogo. É muito mais que uma questão de gosto estético e/ou cosmético que muitas vezes são confundidos. Costumamos, mesmo os mais atentos, mesmos os mais pensantes, não nos dar conta de tudo aquilo que está envolvido num processo [qualquer que seja] que, por ser processo e por isso mesmo dinâmico, apresenta, sempre, novos elementos e nuances que, por vezes, tratam-se de velhos e conhecidos elementos e nuances que se reapresentam ressignificados ou buscando ressignificação, enfim...

Tem o funk erotizado, tem o funk gangsterizado, tem o funk que confronta a genocida polícia e enfrenta e se embate contra a opressão do sistema. O rap também tem suas nuances. 

O samba também tem as suas. Ocorre porém que o samba capturado não tem nada pra dizer para além de pseudo-nuances pautadas, no mais das vezes, pelo oba-oba. E o samba não capturado disse o seu dizer mais contundente em tempos, há muito, idos. A rapaziadinha de agora, do samba tradicional, em Sampa e adjacências, pra ficar por aqui, com o bicho pegando e bravo, prefere ficar no: “Salve a Porrrtela!” 

Daí que... O Funk é Jongo – e tenho dito! Se é que me faço entender.

Há braços fortes e fraternos!

[*] A propósito do que entendo como resultado uma leitura infeliz, obtusa, equivocada e esquizofrênica, geradora de reação negativa à postura de Mano Brown: