segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Valente (No cais)

Inhaca

no porto,

tá morto

o Zaca.



Na maca

o torto...

Foi corto

a faca.



Temido:

bateu,

matou!



Ferido:

morreu,

passou... 



De 02.07.2007 (rescrito)

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

segunda-feira, 15 de julho de 2013

De Preto de Corpo e Alma P'ra Preto d'Alma Branca


Forte é minha rima e cê já vai perceber

que ela é pé no peito e quero ver segurar...

É pombo sem asa e vai p'ra lhe derrubar

P'ra quebrar lhe as pernas, p'ra muito lhe doer



Negro-branco, atente p'ra o qu'estou a dizer:

de nada adianta cê querer disfarçar...

Junto a gente branca que faz macaquear,

mano, seu pretume mais vai aparecer!



Cê se diz poeta e etcetera e tal

se diz acadêmico, intelectual

um civilizado... Honorável cristão?!



Cê corre de samba, jogo e maracatú

Foge do contado, candomblé, calundú

Se entrega passivo a essa "doce" ilusão!



Escrito em 29.06.2007 - inspirado em Negro Limitado de Racionais MC's.

Mergulhado


Minha vida oceano

Antes fonte,

foi nascente

E arroio e riacho

Correu córrego e escorreu-se...

Fêz-se rio,

grande rio

Fêz-se mar...

Fêz-se oceano



Minha vida oceano

Antes rasa superfície

Uma lâmina e só...

Água rala,

nad'espessa

Hoje é densa,

caudalosa

Tem bem mais profunda idade.



Em 27.06.07, uma maior redondilha

sábado, 13 de julho de 2013

De minha sede, vontade. De meu querer-te

Quero ter-te o dia todo. A noit'inteira.
Quero dar-te amor, ternura... Ou puro sexo.
Quero pôr-te sem razão ou noção ou nexo.
Quero amar-te e acender-te, pois, qual fogueira.
Quero entrar-te e estocar-te em tuas trincheiras.
Quero inflar-te com gozos fortes e perplexos.
Quer'olhar-te e ver teus contornos (convexos).
Quero encher-te os ouvidos de língua e besteiras.
Quer'ouvir-te aos sussurros, rouca, quase afônica.
Quero ver e sentir do teu corpo os espasmos.
Eu envolto em tuas pernas, teus braços, teu charme.
Quero ver a tua face de expressão harmônica
Estampando os prazeres, os muitos orgasmos.
E saciar-te e fartar-te e em teu corpo fartar-me.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Da minha motivação pra compor

Meu samba não é psicografado.
Nem é divina luz de inspiração.
É pensamento meu. Filosofado
se quer; e poesia e canção.

Meu samba é da lida resultado.
Trabalho duro. É reflexão.
É irrequieto. É inconformado.
É minha busca da libertação.

Sonora trilha que no dia-a-dia
Canta a alegria e encanta a dor
Da minha gente que é de preta cor.

Terraqueana e negra magia
Forjou-me um cronista da pretaria.
Eis o porque de eu ser compositor.


quarta-feira, 1 de maio de 2013

Pizindim na Roda Gigante*

Passei toda manhã ouvindo choro
Um pranto não sofrido, atormentado
Um choro, não vagido esganiçado
Prantina, mas provida de decoro

E a casa toda o lamentar canoro
Fez inundar d'um pranto soluçado
Nutrido pranto banto sincopado
Com bandolim e violão no coro

De aramadas vozes que dos pinhos
E dos jacarandás se libertavam
De vozes percutidas dos tambores

De ébanos, marfins, afinadinhos
Que as notas de Alfredo entoavam
Fazendo adocicar meus amargores




[*] Um plangor escrevinhado (de melodia já gestada) inspirado pelo Coletivo Roda Gigante executando, principalmente, Cochichando, de Alfredo da Rocha Viana Filho, dentre outros mais belos choros degustados na manhã de terça-feira, 23 de abril, dia de Jorge, de São Pizindim e, consequentemente, dia do Choro.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

O funk é jongo. Se é que me faço entender.*

ATENTEM QUE FUNK, RAP E SAMBA GRITAM DO MESMO LUGAR. 

 “A força da alienação vem dessa fragilidade dos indivíduos que apenas conseguem identificar o que os separa e não o que os une.” (Milton Santos)

Antes de mais nada. atentem que funk, rap e samba gritam de um mesmo lugar. E há que se entender o que está em discussão para além das profundezas da superficialidade, né não? Isso posto, Bora lá... 

Eu cresci na quebrada, sambista e oprimido. Brigão. O samba, historicamente, passa a ser aceito e o é cada vez mais, mas... Quanto menos o sambista participa, mais o samba, cada vez menos samba, apropriado em seu mais superficial aspecto, é aceito. Expropriação. Tal reflexão vale para outras expressões do mosaico cultural afro-brasileiro, como, p. e., o maracatu. 

A coisa possui um tal grau de complexidade que a gente do samba parece não se dar conta do quão permanece discriminada e etc. e tal. Ou está acometida de uma esquizofrenia que a faz se querer numa pertença outra que não a dos funkeiros. Pode ser. 

Obviamente que, e se tratando de um mercado massificador, a indústria cultural cuida de replicar o que lhe é mais rentável e de apelo mais forte - mais rapidamente consumível pela massa. Enfatizo que isso é óbvio. 

Agora, daí a entender que o funk é isso e ponto, sem nuances, é, para mim, algo afeito a quem não se permite uma análise mais profunda; que pauta suas conclusões pelo superficial, o imediato aparente. No vai da valsa fica fácil.

Tem muito mais coisa em jogo. É muito mais que uma questão de gosto estético e/ou cosmético que muitas vezes são confundidos. Costumamos, mesmo os mais atentos, mesmos os mais pensantes, não nos dar conta de tudo aquilo que está envolvido num processo [qualquer que seja] que, por ser processo e por isso mesmo dinâmico, apresenta, sempre, novos elementos e nuances que, por vezes, tratam-se de velhos e conhecidos elementos e nuances que se reapresentam ressignificados ou buscando ressignificação, enfim...

Tem o funk erotizado, tem o funk gangsterizado, tem o funk que confronta a genocida polícia e enfrenta e se embate contra a opressão do sistema. O rap também tem suas nuances. 

O samba também tem as suas. Ocorre porém que o samba capturado não tem nada pra dizer para além de pseudo-nuances pautadas, no mais das vezes, pelo oba-oba. E o samba não capturado disse o seu dizer mais contundente em tempos, há muito, idos. A rapaziadinha de agora, do samba tradicional, em Sampa e adjacências, pra ficar por aqui, com o bicho pegando e bravo, prefere ficar no: “Salve a Porrrtela!” 

Daí que... O Funk é Jongo – e tenho dito! Se é que me faço entender.

Há braços fortes e fraternos!

[*] A propósito do que entendo como resultado uma leitura infeliz, obtusa, equivocada e esquizofrênica, geradora de reação negativa à postura de Mano Brown:

sexta-feira, 1 de março de 2013

De recíprocos assombros


Dizes-me que te assusto...
Não vês que também me assustas?
Quanto achas que me custa
bem querer-te intra busto?

Não, não quero arcar com o custo
de nenhuma dor robusta
que me tire a paz augusta.
Seria, pois, muito injusto!

Por estarmos assustados
vamos nos por a correr?
Vamos nos por a fugir?

Ou faremos, acordados,
nosso afã prevalecer:
nos deixarmos nos unir?


terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

É coisa da Vila [Parabéns Neymar!]


O estádio é repleto
Geral é o agito
Meu time é completo
E o jogo é bonito

O craque, discreto
No jogo, restrito
Põe-se então desperto
Virado no esprito

Um pique e um breque
Fez sentar o beque
E o outro zagueiro

Daí, o goleiro
Ganhou um sombreiro
E… Gooooool do moleque!

Daí que... Da mulher e da condição humana

No momento em que uma quantidade significativa de mulheres compreenderem a armadilha que pode ser o condicionar sua realização máxima enquanto ser ao ato de conceber/gerar em seu ventre vida ou vidas, aí sim haverá efetivamente possibilidade de uma real e significativa transformação do/no mundo em que vivemos, pois, estará sendo rompido verdadeiramente o grilhão que impede a mulher de exercer, sem nenhum controle que não o seu, sua plena condição humana.

Penso eu!