sexta-feira, 30 de novembro de 2012

De meus bravios demônios



E num, meu, cruel momento

deu-me, de escrever, vontade.

Grafar com fidelidade

o tão intenso tormento...



que impôs-me o aturdimento

com tal agressividade,

tamanha intensidade

que restou-me o abatimento.



Desde as dez e dezessete,

incipiente este escrito,

que era eu, inteiro, atrito.



E, então, onze e trinta e sete,

este escrevinhado encerro -

Proferido o mudo berro!


quinta-feira, 29 de novembro de 2012

De caradura ou cinismo



Choveu. E como choveu.

E o morro veio abaixo.

E transbordou o riacho.

E muitos, tudo perdeu.



Quem pode correr, correu.

Depois, ficou cabisbaixo.

De luto, o populacho.

Pra muitos, tempo não deu.



E, então, foi o prefeito

dizer na televisão,

na maior cara de cedro:



Gente, com todo o respeito,

da tanta destruição,

o culpado é São Pedro!


quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Bagunça Organizada [A Hélio Bagunça]



Foi sim sambista do maior quilate.


Nobre linhagem. Bastião da cultura.

Foi o passista maior desta parte.

Da malandragem, lendária figura.



Mestre, a dança legou-nos qual arte.

Sobrou na ginga, jogo de cintura.

Andou andanças, se fez baluarte.

Driblou mandingas e mostrou bravura.



Lutou mil lutas por paixão profunda.

Venceu disputas pela Barra Funda,

cuja Camisa ostentou suada.



Hélio, nascido Romão, e, de Paula

E que da vida-missão, nos deu aula,


se foi, Bagunça, mas... organizada!

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Do descanso do guerreiro



E o Projeto Nosso Samba

fez calar o seu tambor;

o seu canto de louvor

à sua negra gente bamba.



E a vez última, a caçamba,

fez puxar, já no estertor,

com o Axé vigorador

vindo lá da Aruanda.



Já não mais pode ser corda.

Não se quer mero barbante,

frágil ente agonizante.



Poisou, o ex-brigão, sua borda,

trecho de madeira dura,

que brandiu pela cultura.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Haicais II


De um ser saltitante

Pulou da janela
de um prédio de apartamentos.
Mas... foi do andar térreo


De gente postiça

Sorriu o sorriso...
Desses com todos os dentes.
Pura falsidade!


Dessa patricinha?

Quer-me, azeviche,
parque seu de diversão...
por mimo; fetiche!


De chumbo trocado

Nem tô pra o que sente.
Jogo que segue empatado.
Nem tá pra o que sinto!


D'uns tais engajados

São muitos. Guerreiros?
Lutam por um outro mundo.
De tudo pra si!


D'uma minha máxima

Homem só é homem
se a seu lado tem uma
mulher de verdade!


De macho e de homem

Homem? mais que macho
Pois, tênia, uma, é fêmea
e, ela mesma, macho


De lugares da música

Os tons de Schoenberg
não assobia um Zé Ramos?
o contrário, dá-se ?


Dos aquéns do jogo

Crentes inda há
no futebol vilão – ópio.
Da arte oponente!


segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Haicais


De Obalwayê

Conto mui bonito
bem doura evento, de outrora,
desse belo mito.


Woroud Sawalha

Sangra a Palestina,
encausto de um holocausto.
Que brava menina!
  


De samba assombrado

Ninguém mais despista.
Boy, Patrícia [até dói]
se achando sambista!


De forte vontade

Na Sampa impedida,
tomemos o Paço. Temos
tal ação pedida!


De votos em Sampa

Se deu o sambista
de prenda a uma legenda,
ora alienista!


De limpeza em Sampa

Segue a imobiliária
ação da especulação
sempre incendiária.


D’um futebol santástico

Dentre os times tantos,
eu gosto, eu torço, eu aposto,
somente em meu Santos!


Eu sei de preto, de preto e de preto



Eu sei de preto, de tipos de preto.

Eu sei de preto que é preto e não sabe.

Eu sei de preto que não quer ser preto.

Eu sei de preto que querer nem sabe.




Eu sei de preto que sabe que é preto.

Eu sei de preto que é branco e não sabe.

Eu sei de preto. Eu sei do ser preto.

Eu sei de preto que diz que não sabe.




Eu sei de preto. Sim, eu sei de preto.

Eu sei de branco que é preto e não sabe.

Eu sei de preto, de preto e de preto.

Eu sei de preto e sei de quem mais sabe.




Eu sei de gira: samba, jogo e umbanda,

maracatu e congado e quimbanda.



 
Canta: Selinho Tambureco

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

D’um encontro de sorrisos



Um belo sorriso negro.

Um belo sorriso branco.

Por estes risos me regro.

Pauto meu sorriso franco.



Negro sorriso - Jucélia.

Branco sorriso - Tatiana.

Sorrisos belos de Lélias.*

De minhas mulher e mana.



E este amoroso triângulo,

prenhe de risos de amar,

é manifesto preâmbulo

d’amor - do rir - familiar.



Rir. Chorar. Febris arderes.

Os bancam, nos clãs, mulheres!


 
[*] Gonzalez e Abramo

O áudio é um registro da apresentação da composição no Desafio do Butiquim do Movimento Cultural PROJETO NOSSO SAMBA de Osasco.